AI RACE— A Corrida da IA
Business

CEO do Airbnb, Brian Chesky defende sistemas operacionais nativos em IA e rejeita interfaces de chatbot

O Airbnb lançou uma ferramenta de busca baseada em IA junto a planos para agentes de voz, enquanto o CEO Brian Chesky argumentou que a IA para o consumidor tropeçará até que a indústria crie sistemas operacionais nativos e interfaces colaborativas.

01/10/2026, 22:12
Business

Airbnb estreia busca por IA enquanto CEO projeta futuro baseado em agentes

O Airbnb introduziu uma ferramenta de busca com tecnologia de IA como parte de sua atualização de outono, marcando uma expansão da inteligência artificial pela plataforma de aluguéis. Em entrevista ao TechCrunch, o cofundador e CEO do Airbnb, Brian Chesky, afirmou que a IA para o consumidor final ainda não amadureceu, principalmente porque interfaces padrão de chatbot falham em fluxos de trabalho de e-commerce e a indústria de tecnologia carece de um sistema operacional projetado especificamente para agentes autônomos. Chesky revelou que o Airbnb planeja implementar agentes de voz neste outono para busca e suporte ao cliente, enquanto pesquisa interfaces multiusuário ("multiplayer") ao longo dos próximos três a seis meses para viabilizar o planejamento de viagens em grupo.

Por que os chatbots falham no e-commerce e como os agentes devem interoperar

Chesky reiterou sua antiga crítica a interfaces puras de chatbot, argumentando que elas atendem mal a usuários individuais quando as compras exigem exploração visual e colaboração. Apontando que viajantes costumam gostar tanto de navegar e planejar as férias quanto de fazer a viagem em si, Chesky afirmou que bots conversacionais limitam a escolha do usuário a um punhado de respostas sequenciais. Em vez disso, ele prevê um formato híbrido que combina controles determinísticos orientados por designers com interfaces generativas montadas dinamicamente por software — um espaço onde startups como Monogram e Wabi também estão experimentando.

Olhando para a frente, Chesky vislumbra o Airbnb se transformando em uma constelação de agentes de IA especializados — abrangendo descoberta, atendimento ao cliente e outras funções —, coordenados sob um macroagente do Airbnb. Essa estrutura permitiria à empresa se comunicar com plataformas externas por meio de protocolos abertos, como o Model Context Protocol (MCP). No entanto, Chesky observou que agentes de consumo atuais, como Instinct e Muse, enfrentam dificuldades com reservas complexas tanto de hotéis quanto de Airbnbs. Para resolver isso, ele defendeu que os desenvolvedores de agentes precisam fornecer kits de desenvolvimento de software (SDKs) mais robustos, em vez de tentar reduzir aplicativos com recursos completos a camadas básicas de dados voltadas para uma caixa de texto genérica.

O gargalo dos sistemas operacionais e as big techs

Segundo Chesky, a IA voltada para o consumidor enfrenta uma limitação arquitetural: os softwares hoje são construídos sobre ambientes legados como iOS, macOS e Windows, e não sobre um sistema operacional que atue no nível de kernel para IA. Chesky lembrou ter alertado o CEO da OpenAI, Sam Altman, sobre essa restrição quando o ChatGPT lançou sua loja de aplicativos sem um sistema operacional de base e um SDK dedicado, o que, segundo ele, prejudicou a funcionalidade.

Chesky contestou duas suposições predominantes no Vale do Silício: a de que as interfaces tradicionais de usuário desaparecerão completamente em favor de comandos de voz e texto, e a de que o software se tornará inteiramente generativo. Como designers profissionais criam interações de software superiores às de usuários comuns, Chesky prevê que os aplicativos continuarão ancorados aos ecossistemas móveis até que as gigantes da tecnologia construam uma camada substituta. Ele concluiu que a transição de aplicativos independentes para agentes totalmente autônomos depende, em última análise, de donas de plataformas como Apple e Google desenvolverem sistemas operacionais genuinamente nativos em IA.

◗ Fontes

TechCrunch01/10

Notícias relacionadas