Wabi, de Eugenia Kuyda, pivota de gerador de aplicativos para mensageiro dinâmico com IA
A Wabi lançou uma reformulação disponível apenas por convite chamada Wabi 2.0, transformando seu criador de apps baseado em prompts em uma plataforma de mensagens interativa que gera interfaces de software sob demanda dentro de chats.
Wabi se reinventa como plataforma de mensagens agêntica
A Wabi, startup de IA lançada inicialmente para ajudar pessoas a criar softwares por meio de comandos de texto (prompts) conversacionais, está mudando de rumo com o lançamento do Wabi 2.0. Anunciado no fim de setembro pela fundadora Eugenia Kuyda — mais conhecida por criar a plataforma de companheiros virtuais de IA Replika —, o serviço atualizado reposiciona o produto como um mensageiro interativo com IA projetado para criar interfaces de software em tempo real.
Kuyda definiu o Wabi 2.0 como um "sistema operacional para a era agêntica", descrevendo o produto na rede social X como um "agente pessoal que faz coisas por você e constrói a interface de que você precisa no momento". Em vez de competir exclusivamente com utilitários dedicados a "vibe-coding" e prototipagem rápida de aplicativos, a plataforma agora busca unir fluxos de trabalho conversacionais do dia a dia à geração automatizada de software orientada a tarefas, tanto para indivíduos quanto para grupos.
Superando a rolagem de conversas rumo ao software sob demanda
O redesign resolve um gargalo crucial de usabilidade identificado por Kuyda na IA conversacional tradicional: a frustração de gerenciar tarefas contínuas dentro de um feed infinito de texto. Segundo Kuyda, o uso intenso prejudica agentes limitados apenas a chat, pois tarefas em andamento e registros acabam perdidos em históricos intermináveis. "As pessoas não querem apenas digitar-digitar-digitar; elas querem tocar-tocar-tocar, rolar a tela e olhar", escreveu Kuyda, argumentando que os agentes digitais mais eficientes irão combinar modelos conversacionais com a ergonomia tradicional de software.
Sob esse modelo, à medida que os usuários conversam com o agente, o Wabi gera interfaces gráficas personalizadas e adaptadas ao contexto da conversa. Em uma conversa focada em saúde, por exemplo, o agente pode criar ferramentas interativas como um contador de calorias, um diário de musculação e um monitor de peso corporal. Em chats voltados para a família, ele pode disponibilizar cronogramas compartilhados para as atividades das crianças, módulos de aprendizado de idiomas ou localizadores de eventos locais.
O serviço também aposta na colaboração, distanciando-se do uso restrito a uma única pessoa para permitir que amigos e familiares compartilhem ferramentas e gerenciem tarefas juntos em uma mesma conversa. O acesso ao Wabi 2.0 está restrito, por enquanto, a um modelo apenas para convidados, com códigos sendo distribuídos pelo X.
A mudança mais ampla em direção a espaços de trabalho interativos com IA
A guinada da Wabi evidencia um movimento de todo o setor para mesclar agentes autônomos de IA com interfaces de usuário ricas. O anúncio surge no momento em que grandes empresas de tecnologia buscam formas de fazer com que chatbots executem ações no mundo real sem prender os usuários a uma tela cheia de texto puro.
Durante o evento Dev Day, a OpenAI apresentou atualizações para os plugins do ChatGPT, permitindo que aplicativos integrados ofereçam experiências interativas diretamente no chatbot, além de fixar atalhos na barra lateral da ferramenta. Ao mesmo tempo, agentes de hardware e software como o Muse e o Instinct, da Meta, impulsionam a demanda por ferramentas conversacionais capazes de executar tarefas complexas. Em vez de tratar o chat e os aplicativos de software como mundos separados, a Wabi aposta que o futuro dos agentes pessoais está em permitir que modelos generativos construam, sob demanda, os botões, feeds e painéis de que os usuários precisam.



